sábado, 21 de novembro de 2009

A Letras de sua época Hedionda a doce como Lima

Gregory Magalhães Costa

A Faculdade de Letras teve recentemente uma gestão irrefutavelmente corrupta, comprovada por uma auditoria interna, a gestão da Edione. Nesta época, o esgoto era depositado no porão da Faculdade, não tínhamos água potável, nem bandejão e com isso tínhamos em mãos o triste recorde de sermos a unidade da UFRJ com maior índice de desmaios de nossa Universidade. O rio de esgoto que se acumulava no porão da Faculdade virava um berçário de dengue e um número enorme de professores, estudantes e funcionários pegavam a doença. A biblioteca tinha goteiras e os livros se deterioravam. A Letras era considerada uma piada, a vergonha da UFRJ por sua corrupção deslavada.

Agora, na gestão do Ronaldo, da qual a chapa 1, PERSPECTIVA, é a continuação, todos os livros foram dedetizados, todas as telhas foram trocadas e o telhado foi impermeabilizado. A sala de estudos dobrou de espaço, ganhou mesas e cadeiras e com a recuperação do ar-condicionado central ficou refrigerada; trocando em miúdos: agora temos uma sala ampla, confortável, enfim, digna para estudarmos. O esgoto que rolava solto no subsolo da Faculdade acabou. Com isso, além do fim do mau-cheiro, ninguém mais pegou dengue dentro das dependências da Faculdade de Letras. Conquistamos a água potável. Posso testemunhar: era infernal estudar com um calor superior a 40º sem ter água para beber! Conquistamos o bandejão e com isso deixamos de ser o maior índice de desmaios da UFRJ. Sem falar na conquista da prestação de contas anual, que a Reitoria quer que se torne modelo para a Universidade. Coincidentemente, depois da saída do permissionário, que vendia comida fora da data de validade e mal conservada, nunca mais nenhum dos grandes professores da casa foram ameaçados de morte, como acontecera na época da gestão hedionda da Edione. Só para se ter idéia dois dos quatro professores ameaçados de morte foram o Ronaldes e o Alcmeno, ambos de Literatura brasileira. Com tudo isso, eu realmente espero que a Faculdade de Letras continue vivendo sua era doce de Lima, ao invés de voltar a épocas Hediondas já vividas por nossa casa. Até mesmo uma pessoa completamente neutra, como o grande crítico literário Silviano Santiago reconheceu o enorme salto dado pela Faculdade de Letras da UFRJ.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ato político-poético

O comitê de apoiadores da Chapa 1 convida

ATO POLÍTICO-POÉTICO

Celebremos o êxito da campanha,
curtamos boa poesia,
debatamos,
dialoguemos...

PÁTIO CENTRAL
Segunda-feira, 23/11, 11h.

Chapa 1 'versus' Chapa 2

Grande parte da comunidade não pôde ir aos debates. Além disso, pouca gente conhece as posturas políticas dos grupos que constituem e apóiam as duas chapas. Assim se explica a existência deste panfleto, com o qual ofereceremos uma contribuição objetiva às discussões, retomando questões que pautaram os debates e colocando vários pingos nos is.

Educação pública, gratuita e de qualidade social x REUNI
● A Chapa 1 é contra a privatização da Universidade. O mercado não deve regular a produção do conhecimento, que deve servir à sociedade, não ao empresariado, portanto precisa necessariamente ser financiada pelo Estado. Somos contra o Reuni por entender que ele promove uma “expansão” da Universidade que a torna maior em números, mas pior em qualidade.
● A Chapa 2 jamais se posicionou contrária ao Reuni. Seus membros tiveram posições diferentes ao longo dos últimos anos, mas entendemos que eles lhe são favoráveis, já que queriam encaixar o curso noturno da Letras nessas bases.
● Como o Reuni privatiza? Dando autonomia às faculdades para que se autofinanciem, ou seja, estabeleçam parcerias público-privadas, cobrem taxas dos alunos etc. Assim, o governo se desresponsabiliza do financiamento da educação e a Universidade se compromete em dar um retorno aos seus financiadores privados. Nesse caso, quem financiaria os estudos literários, por exemplo? Quem investiria em pesquisas que não geram lucro?
● Como o Reuni acaba com a qualidade? Aumentando os números, sem ampliar proporcionalmente as verbas. Isso significa 100 alunos por turma, mais horas-aula dadas pelos professores e menos horas de pesquisa e extensão, formação em 3 anos, além de bacharelados interdisciplinares de coisa nenhuma.

Contradições da Chapa 2
● Na segunda-feira, 16/11, a Chapa 2 finalmente distribuiu seu programa, no qual lemos que as turmas devem ter, no máximo, 40 alunos. Concordamos que esse limite é fundamental para a boa qualidade do ensino, portanto lutaremos por mais vagas para professores. Porém, discordamos frontalmente da política de se deixar aluno sem aula porque a turma lotou.
● A candidata a diretora da Chapa 2 declarou que deveríamos ter aprovado nosso curso noturno logo que a comunidade começou a discuti-lo, dentro do Reuni. Quando estávamos prestes a aprová-lo com a mesma qualidade do curso diurno, sem fazer nenhuma concessão ao Reuni, disse ter mudado de ideia. A seu ver, precisávamos discutir mais e mais. Ora, ao afirmar que para implementar com qualidade não estávamos prontos e, antes, para aderir ao Reuni estávamos, demonstrou claramente seu posicionamento favorável à política privatista e precarizante que orienta o Reuni.
● Outros três membros da Chapa 2 participaram da comissão do curso noturno, no âmbito da qual se posicionaram claramente contrários ao seu encaminhamento este ano, tentando protelar ao máximo a implantação do projeto, de modo que ele não começasse em 2010, ou, quem sabe, nunca começasse.
● Os membros da Chapa 2 têm histórias políticas muito distintas, mas, ao que parece, recentemente chegaram a acordos. Um deles foi tentar impedir a aprovação do curso noturno, ainda que agora não assumam isso publicamente.

Educação pública, gratuita e de qualidade social X Reuni
● Outra política do Reuni foi acabar com os professores substitutos, abrindo concurso. A ideia parece muito positiva, entretanto, para que o número de professores fosse o mesmo, teríamos de criar uma outra categoria: a dos professores sem dedicação exclusiva (DE), trabalhando no regime da CLT. Para que fossem professores com o mesmo plano de carreira, DE, habilitados à pesquisa e extensão, teriam que ser em número menor.
● Numa das sessões de nossa Congregação, alguns chefes de departamento quiseram que se contratassem professores no regime da CLT. Hoje, esses chefes apóiam a Chapa 2. Felizmente, com o apoio da atual Direção e voto dos funcionários, dos estudantes e de alguns professores, a FL aprovou a contratação de professores universitários com os mesmos direitos dos que já temos, evitando, mais uma vez, se dobrar ao Reuni.

Ainda sobre o curso noturno
● A Chapa 1 se formou com base nessa luta. Reconhecemos a importância de implementar essa reivindicação dos estudantes da Letras em seus moldes originais.
● O curso noturno começará em 2010 com a habilitação em Literaturas, o mesmo currículo do diurno, duração de 5 anos e professores com DE.
● Faremos tudo o que for necessário para que os estudantes tenham a mesma estrutura de biblioteca, informática, bandejão e atendimento administrativo. Não sabemos até onde vai o compromisso da Chapa 2 com o curso noturno.

Assistência estudantil x paternalismo
● No último debate, a candidata da Chapa 2 disse que nosso bandejão resultou de um ato paternalista.
● A assistência estudantil é fundamental para a boa qualidade do ensino. Na FL, temos alunos com condições financeiras precárias, que só podem estudar se tiverem subsídio público. A responsabilidade social da universidade pública é justamente priorizar esses alunos, pois somente nela poderão alcançar a formação universitária. O bandejão é uma dessas frentes de assistência estudantil. É hoje um direito conquistado pelos estudantes e deve ser garantido pela UFRJ.
● O bandejão da Letras não estava nos planos da Reitoria, que previa apenas um Restaurante Universitário Central. Graças à luta dos estudantes e do empenho da atual Direção da FL, não somente conseguimos que nosso bandejão fosse implantado, mas que isso ocorresse antes da inauguração do Restaurante Universitário Central.
● Onde funciona nosso bandejão, havia um restaurante a quilo frequentado principalmente por docentes e funcionários. Propomos um novo restaurante a quilo, agora devidamente regulamentado, de qualidade e com preço razoável, de modo a atendermos às necessidades alimentícias de toda a comunidade.
● A Chapa 2 não está propondo nada em relação a isso e, quando se pronuncia sobre o bandejão, é para acusá-lo de paternalista ou demagógico. Gostaríamos de saber se há algum compromisso de manutenção de nosso bandejão e, por extensão, com a assistência estudantil como um todo.

CLAC
● A Chapa 1 se compromete a manter a média atual de 40 orientadores, 200 monitores e 4 mil alunos, assim como o valor da semestralidade. Entre as melhorias previstas destaca-se a equiparação das bolsas dos monitores do CLAC àquelas dos monitores de disciplinas da graduação, ou seja, os monitores receberão de março a dezembro.
● Hoje, o CLAC é uma fonte fundamental de financiamento da Letras. Infelizmente, a verba que recebemos do Governo Federal é mínima: cerca de 20 mil reais mensais. Por sua vez, o CLAC gera aproximadamente 50 mil reais mensais, dos quais nossa unidade depende para dar continuidade ao seu processo de reformas, conforme propomos no programa apresentado à comunidade.
● O ideal é chegarmos a uma situação em que a FL se financie totalmente pela verba pública e que o CLAC possa oferecer seus cursos gratuitamente.
● Defendemos o CLAC como extensão: é muito importante que nossos alunos tenham esse espaço de aprendizagem, para estudar outras línguas, melhorar a escrita em português e começar a prática docente.
● Não podemos deixar que se crie algo como uma empresa, que ocupe espaço exagerado na faculdade, como acontecia no passado. É bom para a comunidade que o CLAC mantenha a qualidade, o porte e a semestralidade atuais.
● No presente, a gestão do CLAC é transparente: todo dinheiro gerado com os cursos entra no caixa 1, o único existente na FL. Antes, não funcionava assim. O CLAC gerava muito mais dinheiro, sem que a comunidade visse onde era investido. Via, isso sim, o prédio sendo ocupado por suas turmas, as aulas do curso diurno sendo empurradas para a manhã e os monitores acumulando bolsas, por vezes deixando de estudar para dar aulas.
● O CLAC estava perdendo seu caráter de extensão. A atual gestão recuperou sua feição original, aperfeiçoou seu funcionamento e moralizou suas finanças. Nosso compromisso é manter essa política para o CLAC.
● A Chapa 2 pretende ampliar os cursos oferecidos pelo CLAC, ainda que no último debate tenha se comprometido a não aumentar o número de alunos. Não disse nada sobre o valor da semestralidade.
● A Chapa 2 afirmou que os envolvidos no CLAC deveriam ter mais poder de decisão sobre o destino dos recursos gerados por ele. Somos contrários a isso, pois entendemos que essa verba é da FL como um todo, não de algumas pessoas.

Ainda sobre extensão
● Muitas perguntas ficaram sem resposta. Temos grande preocupação, por exemplo, com o caráter da extensão que a Chapa 2 propõe, já que defende bastante o UFRJMar.
● É preciso dizer que esse projeto está sendo questionado por parte da Reitoria, já que foram apontadas irregularidades em suas contas. A Chapa 2 disse que as prefeituras com que o UFRJMar tem convênio financiam parte do projeto, mas não explicou de onde vem o restante do financiamento. Ora, se a parceria é com a UFRJ, imagina-se que ela financie uma parte.
● As bolsas oferecidas aos coordenadores e estagiários são muito acima dos padrões da academia. Além disso, o projeto não é exatamente institucional, portanto não temos acesso a seus dados. Seus pagamentos são feitos por meio de memorando, portanto não geram processo, o que impede de serem consultados.
● Nós, da Chapa 1, entendemos que as bolsas de extensão e pesquisa são um estímulo precioso ao desenvolvimento da vida acadêmica, portanto precisam ser todas institucionalizadas, ter critérios de seleção claros e divulgados amplamente, de modo que o conjunto dos alunos possa concorrer em pé de igualdade.

Administração financeira x orçamento participativo
● A Chapa 1 defende que os 20 mil reais do governo, somados aos 50 mil reais do CLAC, sejam utilizados para o bem comum, de modo a continuarmos as obras e cuidarmos devidamente da manutenção da FL. É fundamental, além disso, que sejam objeto de prestação pública de contas.
● Nossa proposta é que o destino das verbas seja decidido nas eleições, já que o voto é paritário e todas as categorias têm o mesmo peso. Daí termos apresentado claramente nosso programa de ação.
● A Chapa 2 propõe que as decisões passem pela Congregação, que é formada por 70% de professores, 15% de funcionários e 15% de alunos. Quem já foi à Congregação sabe a dificuldade de se chegar a acordos ali. Imaginem termos de decidir sobre cada compra ou serviço lá.
● Mais do que isso, sairíamos destas eleições com tudo em aberto, o que abriria espaço para a construção de qualquer coisa, inclusive contrária aos interesses da coletividade.
● É preciso mais investimento na FL. Nesse sentido, propomos parcerias com empresas estatais, a exemplo do Banco do Brasil e da Petrobrás. Também defendemos o aumento das verbas provenientes do Governo Federal. Todavia, não utilizaremos o CLAC para gerar mais recursos.

Fazer o debate X mascarar
● Entendemos que a Direção deve atuar em dois âmbitos. Um é político-acadêmico, por isso apresentamos claramente nossos princípios, ideias e posicionamentos. Outro é administrativo, daí apresentarmos propostas transparentes e viáveis. Respeitando a comunidade, fizemos circular nosso programa desde que inscrevemos a chapa e o divulgamos amplamente.
● Já a outra chapa se inscreveu com um programa feito muito mais de senões do que de propostas e, por motivos que desconhecemos, não o apresentou ao eleitorado. Somente na véspera do segundo debate fez circular o que chamou de programa definitivo: um texto repleto de promessas gratuitas e propostas financeiramente inviáveis, reproduzindo, com outras palavras, proposições de nosso programa, para fazer parecer que tudo é mais ou menos a mesma coisa.
● Não, não é tudo a mesma coisa. Nossa política tem um caráter claro, nossa atuação é coerente. Quanto à Chapa 2, tem um discurso escorregadio e uma composição heterogênea, além de uma política contraditória e arriscada.

O limite da liberdade

José Pellizzon

Um pequenino galho no bico
E mais um, e mais um, e...
Mais um, é o que leva o passarinho

Um pedaço de seu ninho
É que leva o passarinho
A buscar o seu graveto

Livre, voa...
Nos encantos da Harmonia!

Uma semente deixa cair
E mais uma, e mais uma, e...
Mais uma, é o que repõe o passarinho

Uma semente aqui, outra, ali
É que leva o passarinho
A cuidar do seu Grande Ninho

Livre, voa...
Nos encantos da Liberdade!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Senso político, por José Pellizzon

Se todos fôssemos um
Como seria
O um sem todos
E todos sem um?

Todos por um
E um por todos
É a solução

Não deixemos em branco
A grandeza do voto,
E "vinguemos"
Muitos que já se foram
E todos que ficam

Um voto em um,
Um voto por todos

Um voto em que não constam todos
É um voto inconseqüente

Que bom seria
Se de cada um por si
Mudássemos para cada um por todos,
E descobríssemos...
Todos por cada um
E cada um por todos


Ah!...
TODOS E UM seríamos todos

domingo, 15 de novembro de 2009

Agenda da semana

Às 13h de segunda-feira, 16/11, a Chapa 1 promoverá um ato poético-político no bandejão da Faculdade de Letras. Na ocasião, declamaremos versos de poetas como Drummond e Maiakovski e, em seguida, faremos um rápido pronunciamento sobre esta importante conquista histórica.

Terça-feira será um dia especialmente importante, pois às 9h30 se realizará o último debate da campanha. Até lá, a Chapa 1 continuará contribuindo para a consistência da discussão, mediante a distribuição do programa entre docentes, estudantes e funcionários.