terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ricardo Kubrusly

Os sonhos q esperem pois a comida é pouca
e a comida que nos alimenta além de ter sal e pimenta
há de conter entre tomates a revolta
entre os não perecíveis um sonho revolucionário

Queremos uma cesta justa
com arroz feijão e porrada
a cesta de um natal sem religiões
onde a ilusão de um dezembro feliz se cale
e o velho Noel em silêncio assista as árvores tombarem
e que o ano atravesse
com pressa
um carnaval de espantos
onde o grito fale e fale mais alto que o baque do surdo
onde as ruas se enfeitem
com trabalhadores enfeitados
em roupas de guerra
explodindo a cidade e suas farsas
onde as notícias se espalhem por entre as favelas
desligando as TVs em um natal sem hipocrisias
e num carnaval sem medo
uma cesta justa não é muito para um país sem delicadezas

Uma cesta justa
onde as crianças estudem e os adultos trabalhem
onde re-encantados de esperanças
nossos professores se misturem aos estudantes
e ouçam destes suas visões sem vícios
as direções de um novo
caminho e suas possibilidades

Basta de problemas sem soluções
uma cesta justa
com poemas e tarefas e sonhos
sem demagogias sem promessas otárias
uma cesta sem fadas ou frutas cristalizadas
com rapadura e granadas

Afinal
de castanhas podres
já nos fartamos há anos

Veja mais aqui.

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